segunda-feira, 18 de julho de 2016

Os anos de Augusto

Augusto é órfão de família viva - de corpo presente - desde que sua amada avó falecera ano passado. De seu nascimento até a noite que ela voltava para casa sem nunca mais ter chegado, Dona Ciça era quem cuidava do pequeno e  quem teimava os ouvidos quando os outros diziam "deixa o menino" e se iam; ela, agarrando-o pela mãe do "venha", aconchegava-o em seus pertos. Aquietava, assim, os dois. Deu-se então que, assim que partira, os outros disseram ao garoto "que assim seria" e ele se foi - indo.

Um dia na escola, com o assobio na cabeça, ouviu ao longe o vento que soprava, no gesticular da professora.

- Augusto, perguntei o que você quer ser quando crescer! Então, o que pretende?!

De pronto, como se o vento sempre fosse um tufão "aqui dentro", autobiografou a dureza de seus poucos anos, que queriam ser muito além do "esse menino ai":

- Eu quero ser velho, senhora! Eu quero ser velho...

Depois disso, Augusto emudeceu dias sem saber por quê. Talvez, a chave da vida tivesse voz, mas não vez. Talvez porque a vez, fosse mais do que a voz em uma criança.

Ele quer ser velho. Augusto quer ser velho. "Meu menino entendeu o ser".

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Oriente

Com mãos poentes
O tecido é lentamente
afastado.

E o corpo
inclinado
levemente semeia.

Há dança.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Lançamento do livro “O fio de Ariadne”

Thor Resende, jovem escritor mineiro, lança seu primeiro romance policial em Belo Horizonte




Há alguma força capaz de alterar o destino? Ou sua determinação é imutável, como sugere o próprio significado da palavra? Esse questionamento é a base central do livro “O fio de Ariadne”, de Thor Resende. A obra, que entrelaça a história de Sara, Antônio e a de um homicídio investigado pela delegada Rocha, traz referências ao mito que dá título ao livro e em que cuja história tem-se o amor como única fonte de salvação para todos os males que assolam as relações humanas.

Em toda a trama, que é caracterizada como um romance policial, o leitor é instigado a acompanhar a vida dos personagens em busca de compreender a conexão existente entre todas elas e que, em princípio, parecem ser tão distintas umas das outras. A narrativa é construída mesclando a primeira e a terceira pessoa e, ao passar das páginas, descobre-se a surpreendente relação entre as histórias, chegando à constatação de que todas as certezas carregadas ao longo dos anos podem cair por terra em questão de minutos.

“O fio de Ariadne” é uma leitura prazerosa que tem feito sucesso com o público jovem adulto. Segundo Yasmin Martins, de 19 anos, amante da literatura e blogueira do site “Books and More”, “...a escrita de Thor Resende é clara e leve, o que torna a leitura fácil e convidativa. Foi muito bom entrar nesta história e visualizar as cenas e situações”. 


Lançamento do livro
O lançamento do livro “O fio de Ariadne” acontecerá na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, no dia 12 de março de 2016, às 19h, na livraria Saraiva do Shopping Diamond Mall. O autor iniciará o evento com um bate-papo sobre a obra que faz parte da Coleção “Talentos da Literatura Brasileira”, da editora paulista Novo Século e, em seguida, irá autografar os exemplares dos leitores presentes.


Sobre o autor
Thor Resende é um jovem estudante de Direito de 21 anos, professor e supervisor de Literatura no Pré-Vestibular Equalizar da UFMGestagiário na 7° Promotoria de Justiça do 1° Tribunal do Júri do Ministério Público de Minas Gerais, e escritor. Leitor voraz desde os 13 anos de idade, iniciou suas primeiras histórias literárias por incentivo de sua avó, D. Diva, cujo amor pelos livros foi repassado ao neto.


Lançamento do livro “O fio de Ariadne”
Local: Livraria Saraiva – Shopping Diamond Mall
Endereço: Av. Olegário Maciel, 1.600 – Lourdes – Belo Horizonte / MG
Data: 12/03/2016
Horário: 19h00

Livro disponível para compra física e virtual:
Amazon

Mais informações:

Assessoria de Imprensa   
Fernanda Fernandes Fontes
fnandafontes@gmail.com
(31) 9 9256-8000

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Pulsão

O impulso pulsa.
Espinho que finca
Voz que dita
Às mãos o que pensar.

O impulso pulsa.
Ofega o sentido
Taquicardia o sonho
Grita o agito, sem considerar.

O impulso ainda pulsa.
Solta a razão desenfreada
Que pula imprudente
No ciclo do recomeçar.

O intruso
O impulso
O pulso
Pula. 

E sangra, sangra. E sangra.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Brado

Suplicante te peço
Em relampejo desejo que brota
Da pele minha
Ao encontro da sua.

Tenha dó
E venha.

Por onde quer que seja
A conduzir a arritmia densa
Em que sussurro
Teu nome.

Tenha dó
E venha

De mãos atadas
Suplicante
Curvada ao pedido
Rogo-te:

Tenha dó...
Tenha dó...
Tenha dó.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Vida e morte no baile

Desligo o carro, atravesso a rua e bato à porta ininterruptas vezes até que ela se abra - o que não demora. Lanço-me à casa ávida pelo encontro, por quebrar descuidadosamente um vaso que ao canto está, pela pressa de ir e ser. Mas não o faço. Sento-me à poltrona, pés a balançar. No rosto, um singelo tom de “diga-me” com ares de “que seja assim” e não de que “assim seja”.

Enquanto isso, fantasmas valsam na sala. Eles não estavam aqui quando entrei. Não havia música, apenas o bailar do mutismo.

A inquietude taqui-cardia-me. O desejo, a ânsia, a cruz. Valha-me Deus. Valha-me o Diabo. Eu sou o meio que pende. Levanto-me. Ando de um lado a outro. A parede branca, o retrato. Tudo em mim.


Desligo o carro, atravesso a rua e bato à porta uma única vez. Entro na casa, sorrio, sento e observo as pessoas que valsam uma canção alegre e rítmica. Balanço os pés e aceno. Agora não é mais uma canção. É a canção. Sorrio e aceno. Assim, é como faço. No rosto, uma angústia translúcida de “assim seja”, com ares de “que seja assim”.


domingo, 28 de setembro de 2014

Caderninho azul

Era uma história. Não uma vez.
Nela, rascunhos rasurados
De amor.
Um caderninho azul.

Começou contando
A vida de dois.
Terminou com a de três.

De um, que estava na estória,
Mas não na vida;
De outro, que estava na vida,
Mas não na história.
Terminou com a vida de um.

Mas este um alheio.
Não era nosso filho.
Nosso filho...

Voltaram-se então,
Às páginas em branco
Onde o terceiro vive.
A vida dos dois.
 
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