Passas por mim
a rastrejar-me os desejos.
Ansiando a descoberta de minhas rendas
negras como a noite
com cálidas mãos que me tateiam
sorrateiras e tempestivas.
Há tempo.
Adentra-me vasculhando quartos
meios, inteiros.
Velando-me em vigilante nudez
-corpo e sonho -
enquanto desfaleço
em teus linhos.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Amor, sentido e arte
“Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de uma lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.
Vinte e três anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ullay chegou sem que ela soubesse. E foi assim.”
Acessado em 10 de abril de 2013
Percebe?
domingo, 24 de março de 2013
Quando, se.
Se tivesse partido
Como os homens comuns que ao seu tempo
caminham
Não sentiria tua ausência como sinto
quando você está.
Se você tivesse partido
Como os homens comuns que ao seu tempo
caminham
Não sentiria que está
quando de tua ausência.
Se você estivesse
E tivesse partido
Eu sentiria
Preenchido esse vazio.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
As linhas da palma de minha mão
Amo-te como parte de mim
Fragmentada
De lá, mas parte.
Como sem outra forma
Nem outro ser; parte.
Completa, sempre aqui
- sem outro jeito, pois o jeito
É.
Faz o ser
Que sou.
Todo ser seu
Parte de mim.
Fragmentada
De lá, mas parte.
Como sem outra forma
Nem outro ser; parte.
Completa, sempre aqui
- sem outro jeito, pois o jeito
É.
Faz o ser
Que sou.
Todo ser seu
Parte de mim.
domingo, 27 de janeiro de 2013
O nome - Final
Fluência. Eu não tenho fluência, eu
tenho passeios. Pelas palavras percorro brincar de plenitude. Agora passeio
pela rua. Pela rua porque é apenas uma rua. Pela rua sinuosa, insinuante, reta,
ereta, dura. Agora sim, pode sorrir. Tenho saudades de muralhas e de esquecer
nomes. Por que eles me vêem, eu perco a leveza. E viro rua. O perigo de se
virar rua. Você já foi rua?
Eu não quero me escrever mais. Já
disse muito. Não haverá mais cenário. Nem nome e eu não sei se serei. Não direi
mais nada. Serei silêncio. Não queria dizer eu. Eu queria morrer do jeito que
você entende morrer. Porque eu sei que as pessoas morrem também, mas ninguém
morre como se deve morrer. Só como não deve que as pessoas morrem. Eu não
queria que as pessoas morressem como elas sabem morrer. Queria de outro jeito.
Mas não há.
Porque eu gosto das coisas simples da
vida. De comprar flores. Quem compra flores, você compra? Eu compro flores para
enfeitar minha sala. Andando em outras ruas que não estas – existem sim outras
ruas, mas quase nunca as percorro – colho flores para mesclar a vida e a morte, pois as coloco na sala. Eu recolho flores porque é simples e me dá
alegria. Eu quase não planto alegria, e colho flores. Não colho alegrias porque
não planto flores. Só as recolho e levo comigo.
Ir. Está na hora de ir, mas estou tão
cansada que minha mente não coordena meus pés que vão indo pra onde for que
houver. Mas não há. Pra onde sigo, então? Impulsiva, não desejosa. Perdi o
sabor de prosseguir. Luto contra o mundo, mas não adianta. Sou tão fraca, tola,
cíclica que me perco sempre. Sempre. Na mesma rua em que ando reta. Pelos mesmos caminhos em que há anos sigo por
seguir. Caminhando de coração laçado com o fantasma.
domingo, 13 de janeiro de 2013
O nome - Parte 8 (cont.)
Então quando eu era pequena, brincava de viver. E não
haviam segredos. Aliás, haviam segredos, mas eram segredos bons, que davam
sabor à vida. E isto me fazia viver. Você vivia quando era criança? Eu já fui
criança. Assim, criança diferente, porque cada criança é diferente da ideia de
ser criança que o adulto tem de quem criança é.
Muralhas dormem em paz, suspirando sonhos de criança
que é, e vê a verdade e finge que vive. Eu não durmo. O dia se aproxima, mas já
é dia, só que ainda está escuro. Eu gosto do escuro. E eu não queria gostar
mais de anjo, mas eu não sou dona de mim. Eu sou sem querer, mesmo estando
morta. Porque a ideia está morta. Você morreu?
Estou cansada. A cama me preenche... não!, eu preencho a cama. Eu, eu. Eu sou eu.
Está feliz? Eu sou eu. Eu sou eu. Eu sou. Sou eu. Eu. Que vontade de ser feliz
agora. Porque você descobriu que eu sei que sou eu. Eu sempre soube, mesmo
quando eu não era eu. Eu nunca fui a ideia de criança que você pensa que
criança é, por isso eu sempre fui. Tenho pena de ser. Eu não queria mais.
Você sabe como marcar a vida? Vou
desvencilhar as mãos para sair daqui. Muralha de anjo: beleza leve, que sonha vento
de encanto fugaz.
Estou cansada, vejo os raios do sol. Amanheço. Eu
amanheço, e a beleza das metáforas segreda tantas confidências. Você está
preparado para saber o maior de toda a vida? Vou te contar, mas somente quando
você for. Ninguém mais dorme neste apartamento. Agora não posso continuar...
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
A história de uma bárbara trepadeira.
Trepadeira:
1- [Botânica] Diz-se de ou planta que, como a hera, trepa com elos ou gavinhas ao longo dos corpos vizinhos.
Bárbaro:
1 - Próprio de quem não é civilizado; rude.
Dicionário Priberam
"Cala a boca - olha o fogo"
C.B.
A trepadeira putrefa na
lama. Seus frutos negros, fétidos, sem visco, se apresentam aos que passeiam
inglórios ao seu entorno. A trepadeira exala uma indiscrição latente que polui
o ar com seu aroma e cega os famintos por preencher os vazios de suas fomes. Bárbara, se apresenta sem valor aos que
desejam insaciáveis encontros consigo e com ela – a trepadeira. Insinua seus
galhos pelos caminhos fáceis que se abrem aos que mendigam calor – o inferno é
quente.
No recife pegajoso em que dá
seu fruto, macula uma boca mascarada que, na podridão de pertencer, cede seu
sabor ao azedume e imerge uma vida no lamaçal do momento. Homens putrefos, paladares funestos. A vida é a morte do ser,
em um cortejo fúnebre de suas falsas verdades andantes.
A trepadeira putrefa na
lama. O homem putrefo trepa, bárbaro.
Assinar:
Postagens (Atom)
