domingo, 9 de dezembro de 2012

O nome - Parte 7

Eu não gosto do nome. Não gosto da metáfora do nome. Eu não vejo o céu, porque o céu sumiu. É. Você sabe como fazer o céu sumir? Sabe? Eu não sei, mas ele some. E volta quando quer. À noite, durante o dia, à tarde. Eu não gosto da tarde. Eu gosto da noite, mas agora eu vivo durante o dia, a tarde e a noite. Eu não morro mais à tarde e nem ao dia porque eu já estou morta. Aqui deitada sem dormir, sem sonhar, sentindo o vento da muralha, lembrando do nome e da metáfora do nome. Morta.

Quando eu era pequena, brincava de viver. Porque a gente está morto, a gente brinca de viver inventando. Vendo o que não existe, a gente inventa a existência. E sofre, e faz sofrer. E sofre porque faz sofrer e porque fizeram. A gente deixa de fazer pra não sofrer e sofre. E faz sofrer. E dói tanta dor que não existe mais vida sem dor. A vida é dor. É sem ser de outro jeito.

Tem gente que é mais feliz, mas é porque vive muito mais que está morto. Eu não queria sofrer tanto, mas não queria viver. Porque quem vive esquece de ver. Só vive e é feliz, não vê, não sente e não morre de vez em quando. Às vezes sofre. Mas passa, não fica...

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