domingo, 9 de agosto de 2009

Desastre do poeta

Letrista, não cantor - ele é.
E o que importa, se ouço-me
Cantada no poema papel sonoro?
Tem mais voz a tez que silaba
Audições sentidas.
Guerreia bemol's em frascos emblastros
Que beberico a madrugadas coléricas
De amores sem paixão.
Eu sou poeta. E não creio
No que canta coração.
E vou perdida, na nota partida,
Numa lamúria; ilusão.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Cícero

Quem souber de Cícero, me avise.

Ele tem longos anos, usa óculos e possui uma barba macia. Diz de poesias bonitas, frases sonoras. Escorre em seu rosto a beleza dos anos em sulcos finos, traços sábios de palavras impressas.

Quem souber de Cícero, por favor, me avise.



segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Negras rosas

Já se apagaram as luzes das rosas entregues há uma semana. Observei a decrescência da vida por estes dias, tendo por companhia um sopro vazio que internaliza tantas dores silvestres afloradas em um cotidiano morto. Estou só e nem sei de ti.

À mesa, uma luz tão inconcreta quanto meu caminho ilumina esta lamacenta e contraditória vontade de ser feliz. E em contrabalança aos meus lentos dedos deslizantes por desequilibrados vocábulos novos que transcrevem perturbações tão companheiras em sua permanente rotina, estão os desejos cumpliciados à busca racional de um encontro menos sufocante, deslizante, incerto. Estou só em você.

Cada lúdico movimento trêmulo de minhas mãos a desenhar-te o sorriso acolhedor despende de meu coração farpas tempestuosas que espalham aos caminhos teus uma sombra de repouso igual ao de tua cama macia. Estou só e nem sei de ti.

E as rosas que ainda permanecem na sala, no canto, no meu olhar, me trazem pensamentos tão incertos e inconcretos quanto tuas juras e teu medo de me fazer feliz. Não tenho forças para levá-las, por isso permanecem. Talvez nem estejam, talvez alguém as leve. Só ou em companhia...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Palavras vãs

São estes versos tão impuros
Que me encontram aflita
A rondar as horas de a ti não chegar
O que em mim lateja e não transubstância
Em palavra de sentido.

Persegue a dor da tentativa
De dizer-te o que não sai
Se não de meu olhar distante.
Prossigo tempestuosas desordens em
Vocábulos levianos que outros chamam poemas
E eu teimo: ermas vontades.

domingo, 19 de julho de 2009

José

"A ausência é um estar em mim".
Carlos Drummond de Andrade

Meu velho;

Diga que não tardará sua chegada. Que logo ouvirei teus passos pela casa, teu cantarolar suave uma saudosa cantiga. Deixe-me ver tua quietude à mesa, a passar o tempo escolhendo cartas enquanto a hora não vem. Receba-me aos sorrisos onde o aconchego me inunda por teus olhos claros. Diga a ela quem aqui está. E me conte todos os dias em que fora estive. Ao menos em sonho, me achegue. Aguardo-te em lugar da saudade.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Marca

Nunca fui digna a paixões
nem passagens.
Deitei meu olhar e ferrei
marca de mim: é ele.
E de viva carne queimou
que sangue escorreu a doer
- deixei repouso marinar vivência.
De declives minha história é.
Os aclives foram, bastantes
horas felizes passei.
A foto, sempre ao bolso do olhar:
quando a gente não quer deixar
finca, fica.
E é de novo.
 
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