quarta-feira, 13 de abril de 2011

Verdade

Como vivem
Os que de sim
dizem feita a vontade?

Não suporto mais buscar a ilusão
De viver pela concretude
Científica, definitiva, real.

Cansei de ter o porquê
Na palavra e no coração.
De procurar o eixo
O lado, o fato
De ver meu corpo envelhecer
Enquanto a dúvida rejuvenesce.

Sem ver, ouvir, sentir
- minha alma não isenta -
Não creio.

Mas enquanto repouso a dúvida
Fortemente, ela tenta se apossar de mim
E permanece a buscar seu lugar.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Liberty - Beatriz Milhazes

Liberty, 2007
Colagem sobre papel
135 x 130

Já que hoje o dia está cinza, cores da Milhazes...porque sei que vocês também gostam!

terça-feira, 1 de março de 2011

The way you look tonight - Tony Bennett



Esta é a música mais linda que já ouvi na vida...ela é especial...estava esperando um momento assim para postá-la, que bom que ele chegou...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Banzo

Te vi. Distraidamente caminhando pela rua, olhando à frente, sem que ao lado me percebesse. Te vi. A pensar sobre o que não sei e que jamais entenderia, por estar envolta a ti que não era nada além de mim. Te vi. Não dizias, não sorrias, apenas estava. Senti, pois não podia me ver com meus olhos; somente com os de outrem, mas ninguém me via. Eu me percebia, mas não enxergava. Então te vi. E você nem estava.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A perversão

Helena chegara em casa inquieta e angustiada. Longo o dia, de tarefas iguais, mas de pensamentos desequilibrantes. Lutara por semanas sem grande esforço, para se sentir bem com o dia de cada vez, buscando prazeres antes fugazes e saboreados agora como leves traições imaginativas. Mas tudo havia mudado como (ou pela) transição das cores no céu.

Ao entrar em seu apartamento naquele dia, ela desprezou qualquer canto e de maneira quase retilínea caminhou até seu quarto onde, enraivecida, retirou as roupas como se mal houvesse nelas que expusesse seu corpo a uma enfermidade.

Deitou na cama fria e sentiu o calor gélido subir por seu corpo. Chorou estranhamente um choro desconhecido ou esquecido, como aqueles em que se chora na barriga da mãe. Sentiu se esvair o labirinto de seu sossego, viu um desconserto nascer já em clímax e definhar a gotas leves.

Era a loucura, sorriu Helena em entendimento de ser, não de existência. Revolveu-se nos lençóis, esticou o corpo, pensou ser o melhor, imaginou a morte de quem amava em uma longa noite de amor com uma vadia qualquer.

Enquanto o corpo esquentava por tantos movimentos, Helena foi se aquietando e voltando a ser aquela velha conhecida e materializada quando pronunciado seu nome em referência: Helena.

Levantou-se da cama, foi ao banheiro onde lavou o rosto, não retirando por completo a negra cor pintada em seus cílios. Viu a água escura escorrer por sua face, sulcando aquela pele alva, de uma mentira tão amiga daquele olhar. Fixou-se no espelho e sorriu divertida ao ver a cena. Helena. Aquela velha conhecida.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Chegada

Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.
Caio Fernando Abreu

Para o meu lindo...

Quando ele chega, me acolhe com os lábios e abraça meu desejo de paz. É sutil a precisão de suas discretas mãos que me afagam as inquietudes e sugestionam uma calma que logo obedece a seus apelos; aquieta meu dia. Espelha-me de completo em meio sorriso encantador. Diz doces palavras, celebra-me como a uma festa de longos anos vividos, mesmo tendo há pouco visto meus sentidos, cheios de pequenos segredos por descortinar. Sente minhas dores, alegrias, canta comigo silenciosamente a canção do entendimento; quer que seja assim, e faz ser assim: uma verdade simples de suspiros prolongados com gosto de eternidade terrestre.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ressurreição minimalista pós-moderna

Tenho muitas paixões
NOVAS
Que deslizam em meu corpo
SENTIDOS
pLuRaIs.
Levam em enxurrada
VERDADES
aNtIgAs.
E me constroem
DE NOVO.
 
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