terça-feira, 29 de junho de 2010

Anomia confessa

Quero te contar os segredos por detrás da falta de intenção. Balbuciar baixinho o porquê de não dizer em sons o que sai em gráficas formas cada dia mais distorcidas pela teia de abraços e embaços errados; quero beijar sua face enquanto sussurro: eu matei a intenção e inventei a mentira. Será meu cúmplice, meu fado, e eu, o seu desassossego.

Quero pulsar em ti como em mim isto que é e eu não sei; para sair correndo aos teus braços e ritmicamente sentir seu suspiro de perdão dizendo: é o tempo, ele se encaixou às horas. Pela confissão de meus pecados serei capaz de chegar-te sutilmente, com a delicadeza em que banho os dias.

Morreremos então juntos, envoltos aos lençóis do querer, quando eu tocar esse sorriso lindo que bucoliza meu pensar quando não estamos. Irei calar tuas dores com as minhas; enxugar tua vida molhada com meus longos cabelos negros. Ruborizar teus dias com as lembranças destes cálidos momentos.

Permitiremos tudo o que não for. Então, tudo será.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sobre como me tornei máquina

A cobertura que se estende
Sobre meu sentir
É de palavras escudeiras
Que aquecem e alinham
Um desgovernado ser que sente
Em demasiada vivência.

Não é o manto que felicita
Um viver que cambaleia
Em pernas desnorteadas
Por um caminhar que cumplicia
A sombra; amar uma ideia
Não é amar um homem.

A dispersão desconexa
Argumenta uma enxurrada
De defesas que cuidam
De um corpo cansado
- não mente –
De pelos dias e futuro ser só
E desta solidão
Viver um nada.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Compras na Bienal do Livro de Minas

Como eu havia postado anteriormente, aconteceu em BH a Bienal do Livro de Minas. E eu, claro, não perdi. Até me excedi nas compras ( livros + stress = gastos), levei seis lindos exemplares para casa. E gastei pouco, o que foi maravilhoso!

Os três primeiros livros abaixo são literários, o seguinte comprei de presente para a Laís, e os dois últimos irão me auxiliar na monografia ( um arraso!).

Sabe quanto gastei? Menos de R$ 55,00... no próximo, estarei lá novamente!

E ah, fiquei triste por não ter encontrado neste mês o Carpinejar. Quando cheguei ao evento, ele já tinha ido embora...quero o Mulher Perdigueira já (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).







Tempo Psicanalítico - Psicanálise e Laço Social



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Bienal do Livro de Minas

Eu vou, e você?
Clique aqui para ver a programação.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Quanto vale?

"O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença."
Érico Veríssimo

Importa soltar palavras ao vento, como quem nelas não crê e as semeia ao terreno de pisar inverdades? Vale dizeres vãos, que insinuam caminhos que não serão percorridos, estradas de entendimentos batidos a pó e descaso? Por que felicitar o hoje apenas, sem pensar no que restará pela vida?

Não entendo porque tombas o olhar ao chão para comer migalhas. Não entendo o choro que teima em lavrar um rosto sulcado pelo cansado de se ver envolto às dobras que faltam a circularidade dos dias. A transitoriedade que reverencia uma indiferença que não tem outro motivo se não o de causar dor; eu não entendo.

O cansaço de ver um nome preso às horas diárias sem que valha algum mísero sabor, trás às mãos sangue frio que goteja um céu sem valor. A tristeza que existe, ao contrário dos antigos anos, revela a ideia de um homem não tangível, que despreza alegrias e cultiva frivolidades corriqueiras; um homem que mata fulminando indiferença e vive da alegria de seu ato.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Enlace

Quero uma página em branco para te escrever. Sorria.

Não sei de seu nascimento, apenas que recebeu uma mística pedra que carregaria por toda a vida como um amuleto de identificação entre os seus e os outros. Se fez quase ateu, não fosse pelas orações baixas que fazia em casa, tentando se esconder da vergonha de dizer que não acreditava no que não acreditava existir.

Cultuava um jeito contraditório que causava certa paixão em mim. Uma dualidade entre o gostar de ficção quando era um nato romancista me trouxe aos dias em que estivemos juntos um não saber quem era aquele que um dia estava e em outro, quem era aquele? E isto foi permanecendo em mim.

Em casa, só, questionava seus pensamentos, sentia-se e não gostava. Entregar-se a si seria penoso demais - refletia. Eu olhava aquilo tudo de longe, encostada na porta da cozinha, cigarro acesso ao céu pensando o que ele poderia querer. Não entendia onde eu estava naquele mundo. Olhava, eu o olhava sentando à beira da cama, corpo ereto a flertar ao lado. Me aborrecia, eu me aborrecia por nada. E recebia um afago como se afagasse um bicho, dizendo “aqui” e eu aquietava.

Um dia pensei em não ir, só para ver se ele deixaria que eu ficasse. Era hora de ficar e ficar em outro lugar. E ele, andando de um lado ao outro, entre beliscões macios e sorrisos violentos, disse nada poder fazer pela falta de poder converter caminhos.

Em um instante, mudou de gosto, desiludiu por motivos outros que não esses, se irritou, penteou meus cabelos com as mãos, sorriu, me abraçou, disse que, me disse tanto, tantas palavras, eu sorri, mas não acreditei e feliz me fiz. Esperei mais uma semana.

O nome que carregava refletia a instabilidade contrária de ser um alívio a quem nele tocasse, pois dizia de mau humor sempre que o mundo andava contra o que havia pensando acontecer – e isto aconteceu quando eu disse que iria partir. Ele se irritou, eu não entendi, e me enraiveceu, e eu me descobri apaixonada como uma pedra lavrada pela água que por ela passa como uma tromba d’água (trombas d’água não lavram pedras).

Naquele dia, eu só disse “eu queria que...” e “ eu queria dizer mais, mas sou melhor com as palavras escritas”. E fui embora, mas ele, já tinha ido antes – achara meu bilhete debaixo do travesseiro, com as iniciais palavras “eu vou te deixar”.
 
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