segunda-feira, 11 de maio de 2009

Loucura

Acordo aflita, outro sonho em ti. Dizias que de mim precisava, corri ao teu encontro, estendi as mãos. E você sorrindo me gritou: não! E eu chorei enlouquecida, sem razão clamei teu nome à penumbra da noite e já não sabia se dia era certo ou sonho. Revolvi a gaveta e vi a fotografia de quando encenamos felicidades. Nela, mãos estavam entrelaçadas.

Senti uma voz que dizia que subjeções enlouquecem mentes sãs. E outra vez tua presença a gargalhar o ópio de tristezas delirantes. E a cada lampejo sonoro, aterrorizava-me em uma busca de sentido retalhado, dissipado por abstrações que teimam em enraizar almas na terra a esta hora da madrugada.

Dissolvida a verdade em um copo de angústia que fraqueja a essência de perder o que não importa, vi um vulto a me olhar fixamente; a sugar o pouco de quietude que teima em deixar minha alma acesa. Tive medo do homem que bate na face uma loucura coletiva.

Orei a quem interesse tivesse, que queimasse o entorno que ronda as certezas. Sintonia das horas, passos impressos a edificar uma existência morta.

Sonho saber que o irreal é ponte de atos sem reflexão.
É assim que se apresenta.
A eternidade é uma noite de outono em solidão.

13 comentários:

iilógico disse...

"Orei a quem interesse tivesse, que queimasse o entorno que ronda as certezas."

tanto a comentar...

mas...
bem...
vou ler mais vezes...

bju-te

João Rafael disse...

Enraizar almas...Loucuras coletivas...raizes coletivas em loucas almas...Tudo faz muito outono. E a beleza de tal, me faz orar a quem quereste ou sobraste! (ta foda isso!)

Flavitcho disse...

Gente, arrasou muito.
Gritar pra ninguém cansa, acho que é por isso que a gente consegue a cura.

Ou não, vai saber.. rs..

:**

Euzer Lopes disse...

Sonhos... Devaneios dos desejos sem regras, sem dia, tarde, noite.
Qualquer momento.
Qualquer lugar.
Qualquer vontade.
Qualquer loucura.
Qualquer lucidez.
Sem cronologia.
Apenas devaneios.
Apenas desejos.
Quando a razão adormece!

Herr Barzan disse...

É... Fe-fe.. Desta vez estamos em plena sintonia literária..

Tuas palavras traduziram muito do íntimo coração poente que embora firme, hesitante na fibra esbraveja romantismo... Clap-clap-clap...

De fato as palavras me identificaram realmente pessoalmente dizendo.. Clap-clap redobrado..

Andreia disse...

Como sempre lindo e profundo!
Ah menina, quanta inspiração!!!
Parabéns e bjsss!!!

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

O outono pode ser solitário.
perfeita esta sua poética, suave, cheia de emoção profunda.
òtima semana para você.
tenho novidades por lá.
beijosssssssssssssss

A.S. disse...

Belissimo texto poético!

Senti um tempo vazio de silenciosa brancura, toquei a ausência, o ventre da sombra, onde me transformei numa semente adormecida no enigma de uma negra solidão...


Beijos...

©tossan disse...

Uma vez me disseram que os sonhos são ensaios para a vida real, e os pesadelos são as maiores mentiras, será? Belíssimo texto! Beijo

Jeffersson disse...

"Sonho saber que o irreal é ponte de atos sem reflexão". Nossa Fernanda, me identifiquei muito com esse trecho, belas palavras. Ganhou mais um seguidor no seu blog. Bjus!

mfc disse...

A nossa eterna busca do outro e o sentimento sempre constante de solidão.

Alessandra Brandão disse...

Belo texto!
"dissolvida a verdade em um copo de angústia que fraqueja a essência de perder o que não importa."
Adorei!

Filipe M. Vasconcelos disse...

Minha amiga.. que poema lindo..!!
E que profundidade...!

Como diz o poeta, "ser sábio é ser louco"...

Gostei muito mesmo dos versos... em especial:
"Sonho saber que o irreal é ponte de atos sem reflexão."

Parabéns!!

 
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