quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ressurreição minimalista pós-moderna

Tenho muitas paixões
NOVAS
Que deslizam em meu corpo
SENTIDOS
pLuRaIs.
Levam em enxurrada
VERDADES
aNtIgAs.
E me constroem
DE NOVO.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Eu e o mundo

Não, meu coração não é maior que o mundo. / É muito menor. /Nele não cabem nem as minhas dores.
Drummond

Enterro o pensar em costumes.
Tentando acertar o que nunca seria.
Visto o olhar de assim será
Mascarando-o de será assim.

Nada é constante, além das auguras
De minh’alma.
Somente a dor é cíclica e me pertence.
Como pássaro que voa preso na limita liberdade de mim.

A terra que acolhe meus pés
Não sente; fluida vontades pouco permanentes.
Transita sentidos, passagens.
Não incrusta, navega na frouxidão das superfícies.

Mundo: o que farei pra ti?
Pressinto nossa queda; mas como?
A minha, ao chão; a tua... pra onde?
Preciso ver para nos salvar.

Meu olhar anda marejado;
Meu entendimento, concreto de cinzas, fumaça.
Não podemos fugir de nós.
Precisamos nos entender.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Parte

Durante muitas noites, bebi alegremente e conversei concentrada com um fantasma. Eu sorria, sorria e quando deixava de ouvir minha voz para que ele falasse, nenhum som se ouvia em nenhum lugar. Encolhia, eu encolhia meu corpo e chorava de medo: o fantasma existia, mas não falava.

Era uma companhia sempre presente ao longo do dia, mas era mesmo à noite que ele se apresentava com seu sorriso mudo e seus olhos abertos. Olhava- me, me fazia parte, o fantasma.

E sempre que eu, cansada, não mais queria falar, olhar para mim... e sempre que dele eu esperava um ato, um fato... meu desespero se fazia ouvir e eu enlouquecia sem razão, pois aquela era a minha razão.

O tempo passou e passou. Eu deixei as noites de lado, eu deixei o choro de lado, eu me deixei de lado, eu virei o lado e eu morri. Hoje, o fantasma habita minha alma. E vive comigo eternamente.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

2º Seminário Internacional de Gestão Cultural - Espaços Cuturais


Na próxima semana acontece o 2º Seminário Internacional de Gestão Cultural aqui em Belo Horizonte. O tema deste ano é Espaços Culturais, e a programação está show! Para quem ama cultura, como eu...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Periferia

A paixão faz das pedras inertes um drama.
L.C.

_ E a falta?  
  _ Outro.      
Neste embaço claro
Em que fulgura meu olhar
Através da janela
Sinto periférica a vida.
Urbana.
Beira desenlaçada
Que criva meu viver ao outro.
Limitada vida.
Lanço-me à margem diária
Do esquecimento,
Com lampejos de lembrança:
A cidade, o caos, o homem.
Roda
E eu fico
Corre
E eu fico
Passa
E eu sinto.
Não faço.
Aço não constrói laço.
Falta terra densa
Pó batido, concreto de sonho.
Sorriso.
Falta vida na cidade.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Carmim

A alça do meu desejo é carmim.
E está encoberta neste lugar
Onde não era pra eu estar
Agora.

Por um convite desfeito
Acabei por dizer a Miguel
Que o queria comigo
- aqui, na penumbra.

Como hoje, para teu agitado dia
Isto não importa, guardo a verdade
Para declamar-te
Em descanso.

Vingança para teu ciúme,
Suor para meu dizer
- alguma importância para ti? -
E concreto para meu carmim.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Tríade

 Eu temo é uma traição do instinto/ Que me liberte, por acaso, um dia/ Deste velho e encantado labirinto.
Mário Quintana

Que só muda de nome, mas que é meu.

Não sei aonde ando
Se ao ar ou ao chão.
Quando penso pés firmes em terra,
Tu vens e eu flutuo.
Com o corpo quente e mente firme,
Plantada, imobilizada:
Pés ao ar, mente ao chão.
Ignoro um clamor, ou dois?
Ouço ecos, então isto.
 
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