quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Plenitude ritmada.

Não mais gladiar batalhas sem o definido
porquê de guerras.
Armas apontadas ao horizonte, meus braços dizem
não mais saber seu peso.
Cansaço, confusão e sangue.
Pedaços são o que restam
para o resto de meu penar.
Digo bandeira branca ao céus
mas teimo em soar o brado
que silencia meu entendimento.
Por hora fico, ora vou.
A galopar em meu cavalo de guerrilha
rumo às ruínas a serem erguidas.
Com a visão turva do que é.
Do que deixo de ser.
E do que sou.

Vento, sopre um pouco
mais perto.

E me inunda um vendaval....
Ar que inebria
os sentidos fragmentados
de um sopro contrário
à pulsação que me leva
carrega,
embalada,
conduz.
Alucinada,
engasga
engole
saliva
respira
respira
respira
aquieta
(sopro)
acalenta
(vento)
suprime
(guerra)
aquieta
(respira)
adormece
(aperta)
sente, sente
sossega
Calmaria.


Riacho de paz
a correr pelos vales
da clara noite leve.
Leve com o vento.
Leve como o vento.

17 comentários:

Hilário Pereira disse...

A plenitude é uma busca sem fim do que chamam "felicidade eterna" e começa realmente em uma guerra contra tudo o que somos para no fim aceitarmos a morte como vitória.

Texto pleno.

Karla Hack disse...

Que beleza!
Totalmente ritmado feito peça de teatro..
Enquanto lia melembrei de uma música do Sagrado Coração da terra... "Cavalo baio"

;D

bjus

João Rafael disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Rafael disse...

Na moderna linguagem da intensidade, só tenho uma coisa a dizer sobre o que acabo de ler: Que foda! Reservo-me o direito de ficar com as reflexões em mim causadas pelos escritos, de tamanha intensidade e majestosa sensibilidade. Muito foda, mesmo.

Anônimo disse...

Ei Fer, adorei o trecho "Pedaços são o que restam, para o resto de meu penar." Texto maravilhoso, viu...

Abs,

Ri

Alam Oliveira disse...

''Leve como o vento'', ser pleno é bom, não é fácil.
Ritmo bom, um dos melhores!

Euzer Lopes disse...

Tem horas que, por mais que a vontade seja ficar, é preciso seguir em frente.
A vida é feita de escolhas... E cada escolha tem seu preço.
Muitas vezes, abandonar uma batalha que sabe-se será perdida nada mais é do que se armar, ainda que em prantos, para uma guerra que pode ser vitoriosa lá no futuro.

Flavitcho disse...

Ficar em pedaços é fácil
Chegar à calmaria parece difícil..

Mas ela sempre vem já que a gente em breve se vira em cacos novamente.

=/

:***

Don Oleari disse...

Riacho de paz, calmaria...
ah, Fernanda, é bom de ler, de ver, de viver.
Beijo.
Do Oleari.

TransGreSSivaS disse...

que lindo
me senti realmente!

obg por me proporcionar tamanha emoção!

apareça no meu querida! sejas muito bem vindaaaaaaa ! e naum ligueee para o abuso dos erros de ortografia!

é intencional!


http://transgressivas.blogspot.com/

Gúh! disse...

soou como música para meus ouvidos

Nicolle Longobardi disse...

Nossa!Lindo demais!Texto cheio de emoção!Lindo blog,beijos,aguardo a visita.

www.memoriesnickchantili.blogspot.com

Filipe M. Vasconcelos disse...

Saboroso... saboroso... saboroso...rsrsrs

Thaigo Pereira disse...

Fernanda, adorei. Simplesmente lindo. Me add ai para que possamos continuar akela conversa. Bjos.

Thaigo Pereira disse...

Ps.: Meu msn:

thiago-pereira-neves@hotmail.com

não cole, copie quando for me add. Bjos.

Liila Krsna disse...

"Riacho de paz
a correr pelos vales"

É isso que eu venho tentando ser, todos os dias e em todas as situações.

João Henrique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
 
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