segunda-feira, 23 de março de 2009

Templo de ausências

"A angústia de ter perdido, não supera a alegria de ter um dia possuído" Santo Agostinho

O luto é um templo onde vou adorar meus pecados e dores pelos dias. Nele contemplo anjos e santos de pinturas descascadas, sem cor, sem vida; onde acendo minhas velas que não se apagam, em uma tola tentativa de iluminar meus pensamentos.

Em sua negra nave caminho rumo ao altar ornado de ausências inúmeras. Me ajoelho a derramar lágrimas de saudades, de indignação e raiva. E nesta hora não vejo nada além de mim e do meu querer.

É nesta casa que elevo minhas mãos e clamo a retomada das felicidades de outrora. Daquele aconchego morno, cúmplice e discreto; verdadeiro. Onde me despeço das alegrias e vou, cambaleante, ofertar flores aos mortos que partiram e pérolas aos que perambulam no meu limbo diário.

Onde sinto a impotência dos segundos; onde os dias são lineares; onde a ausência é matéria da fôrma de mim.

Porque tem dias que é insuportável. E não passa.

11 comentários:

A.S. disse...

Os momentos reflexivos e de análise interior, constituem um importante factor do equilibrio emocional!

Beijos...

Alam Oliveira disse...

Senti um pouco do barroco no descascacar das imagens e pinturas e ao adentrar a nave mor do altar do Senhor senti que o profano e santo estão cada vez mais próximos e disputam mais profundamente o espaço apertado de nossos peitos!

Muito triste, muito barroco!
Mas muito legal FÊ!

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Lindo texto querida, e dias lineares também tenho, na verdade todos nós temos.
Aquela última estrela
E, na parede, esses quadros lívidos,
de onde fugiram os retratos...
E esta minha ternura. Meu Deus
Oh! toda esta minha ternura inútil, desaproveitada!...
beijos, apareça por lá.

Joshuatree disse...

Você Fernanda, com toda a sua poesia, é sempre iluminada e ilumina.
Não sei dos caminhos do amor, mas convivo bem com seus contraditórios.

Um abraço grande no coração.

tossan disse...

É a tua sensibilidade em conexão. Tudo tem as suas pedras, escadas e subidas. Beijo moça

Sr do Vale disse...

Graças a sua visita, vim parar aqui, pois eu já havia me esquecido, mas logo que chego me lembro novamente, e assim é a lembrança daqueles que passaram por nossas vidas e se foram, mas deixaram momentos na memória, que vem e vão, é o que chamamos de saudade.

abraços

Em sua visita, fincaste um bonito olhar.

João Rafael disse...

É o doer de bom ao contrário...é o cheio do nada, o preenchimento do vazio...é o que sempre nos aguarda...

Filipe M. Vasconcelos disse...

Palavras duras minha amiga.. essas sim...
Esse poema é concreto. Decidido. Como lhe disse anteriormente, ele é um poema escrito no imperativo... não em termos gramaticais.. mas em termos afirmativos.. de posição.
É um poema que se justifica..

Parabéns pela escrita...
Beijos!!

Flavitcho disse...

Gosto de sentir saudade, mas não por muito tempo.
Matar saudades é melhor que sentir.
:)

:*

Vamos ser assassinos de saudades. :)

:*

Gleidson Tadeu de Oliveira disse...

Essa escuridao de estar sozinho nao é algo tao bom para nossas vidas, é um constante ludibiar de emoçoes sem nexos, mas como humanos é necessarios passarmos por vias da solidao para sermos autoreconhecidos.
É puro barroco.
Boas palavras...

Anônimo disse...

Adorei seu texto, traz à tona uma essência humana, é fácil se identificar com o texto, parabéns amiga. Abração, se cuida

 
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Degustação Literária by Fernanda Fernandes Fontes is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil License.